Press release

Reserva Natural possui 14 hectares e está localizada no maior bloco remanescente de Mata Atlântica

Área abriga espécies ameaçadas, mantém nascentes do rio Iguaçu e gera receitas financeiras para a prefeitura local

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Piraquara, 15 de maio de 2026 — Por volta de 2011, Carlos Amaral e Elisabeth Gebauer colocaram em prática o sonho de preservar um pedacinho da Mata Atlântica. Tudo começou nas frequentes saídas para observar aves no interior do condomínio urbano onde já haviam construído, na década anterior, uma casa de lazer, ao pé da Serra do Mar paranaense, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Percebendo o avanço da ocupação imobiliária em áreas bem conservadas do loteamento, decidiram investir recursos próprios para conservar uma amostra dos ambientes por onde andavam e observavam grande diversidade de vida selvagem, sobretudo de aves. Por dois anos seguidos, investigaram a viabilidade para aquisição de imóveis previamente escolhidos como estratégicos, na área mais protegida do condomínio, dando início ao projeto que mais tarde receberia o nome de Observatório Ornitológico Nascentes do Iguaçu.

Hoje, o Observatório é constituído por 20 imóveis adquiridos pelo casal, que somam pouco mais de 14 hectares, dos quais 13,74 ha (98%) foram transformados em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Esta é uma área oficialmente protegida pela legislação brasileira, prevista no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). Pela norma, as RPPN garantem o compromisso e a conservação em caráter perpétuo dos ecossistemas, não podendo ter outra destinação no uso do solo.


“O Observatório Ornitológico tem um impacto muito positivo para a conservação da Mata Atlântica”, exclama Carlos Amaral. Ele relata que a Reserva é um modelo eficiente para conter o avanço da urbanização sobre ecossistemas pristinos. “Muitos dos lotes urbanos que adquirimos não eram apropriados para a construção civil, devido às inclinações do terreno, por exemplo. Instalar residências ali demandaria gastos elevados e alteração profunda na paisagem e nos ecossistemas”, explica.


Estudos realizados pelo pesquisador e ornitólogo Fernando Straube sobre a avifauna da Reserva indicam a possibilidade da ocorrência de mais de 450 espécies, sendo que aproximadamente 260 já foram visualizadas ou ouvidas ali pelos proprietários e outros observadores. Outro estudo, feito pelo professor Renato Bérnils, estimou a ocorrência de quase 70 espécies de répteis na Reserva. E câmeras-armadilhas instaladas pelos proprietários já registraram a presença de onças-pardas, cachorros-do-mato, veados, roedores, dentre outros animais ameaçados.

 
Na parte da flora, destaca-se a sobreposição das áreas do Observatório em relação a duas formações distintas de vegetação de altitude, conforme as classificações dadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A primeira delas é a Floresta Ombrófila Densa Altomontana, em ambientes de Mata Atlântica acima dos 1.000m de altitude, que dividem as bacias hidrográficas do planalto e do litoral do Paraná. A segunda é a Floresta Ombrófila Mista Montana, da típica Floresta com Araucária dos planaltos do sul do Brasil.

 
A região onde está localizado o Observatório tem uma dinâmica hídrica própria, suprindo de água algumas represas que abastecem boa parte dos quase 3,5 milhões de habitantes da região de Curitiba. Esposa de Carlos, Elisabeth Gebauer descreve a experiência concreta a esse respeito. “Aqui no Observatório, isolamos e protegemos uma das nascentes. Tem uma ótima qualidade, com testes de laboratório que certificaram a água como mineral fluoretada, de pH neutro”. Ela complementa, evidenciando que a água provida por esta nascente é suficiente para as necessidades da casa-sede da Reserva, incluindo um pequeno tanque rústico usado por animais silvestres.

 
As águas locais têm, ainda, relação com um dos principais cartões postais do Brasil. Na região está localizado o principal e mais bem conservado berço de nascentes do Rio Iguaçu, que, após percorrer mais de 1.300 quilômetros em direção oeste, forma as mundialmente famosas Cataratas do Iguaçu. Esta, aliás, é a razão escolhida pelo casal para acrescentar “nascentes do Iguaçu” ao nome da Reserva e ao título do documentário institucional “Observatório Ornitológico: berço do rio Iguaçu”, que narra a história da formação e criação da Unidade de Conservação.


A RPPN também gera ganhos financeiros ao município de Piraquara. Graças a um mecanismo do Governo do Paraná, os municípios que possuem no seu território áreas de mananciais e Unidades de Conservação acessam um valor maior da distribuição do montante arrecadado com o imposto ICMS. Este é o mecanismo do ICMS Ecológico que, apenas com a RPPN Observatório Ornitológico Nascentes do Iguaçu, permitiu que Piraquara recebesse R$ 37 mil em 2025, receita financeira equivalente a 3,5 vezes o valor do IPTU dos imóveis envolvidos, cuja cobrança os proprietários são isentos como incentivo à manutenção da área.


No modelo de gestão do Observatório, para 2027 está planejada a realização do Plano de Manejo, que irá validar ou revisar o zoneamento da Unidade de Conservação, e que poderá ampliar os repasses do ICMS Ecológico para a prefeitura. Além disso, o Plano de Manejo irá reforçar os propósitos de conservação da biodiversidade, de acolhimento de pesquisas científicas e de incentivo ao turismo de observação de aves. Em 2025, a Reserva Natural recebeu perto de 250 visitantes, entre turistas, observadores de aves, pesquisadores, e representantes de empresas e organizações diversas. Interessados em conhecer a RPPN podem agendar as visitas diretamente com os proprietários, pelo site do Observatório (www.observatorioornitologico.com.br) ou por telefone/WhatsApp (41 9 9708-5514).

 

Para mais informações:

• Contatos: Carlos Amaral ou Elisabeth Gebauer
• Telefone/WhatsApp: (41) 9 9708-5514
• Web: www.observatorioornitologico.com.br
• Email: [email protected]
• Instagram: @observatorioornitologico

©2025 publicado pelo Observatório Ornitológico Nascentes do Iguaçu.

Créditos para fotografias: os autores das fotografias estão identificados junto às imagens.
Quando não há identificação, são fotografias do acervo do Observatório Ornitológico Nascentes do Iguaçu.

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